Bom senso minha gente…bom senso.

Documentação, Metodologia 6 Comments »

Você é chamado para fazer parte de um projeto que não vai necessariamente entregar um sistema classicão (do tipo com telinhas, usuários de carne e osso, etc). Sua função é criar uma interface java com um content management de mercado.

Ok.

Você então projeta sua solução com base em JUnit.
Testa a chamada a interface, verifica que está tudo ok e entrega o produto.
Pra não ficar só em código, você até documenta a interface gerada em uma espécie de contrato. Dizendo como ela deve ser chamada e o que se esperar dela e tal. Tudo bonitinho.

Ai alguém chega pra você e diz que sua entrega não está aderente a metodologia da casa.
Afinal, faltou criar o diagrama de caso de uso e seu respectivo documento word de descrição do mesmo.
Então você entrega o tal caso de uso e algumas semanas depois ele volta pra você num e-mail que diz: Seu caso de uso não está aderente as melhores práticas pregadas pela casa para o mesmo. O fluxo básico está usando de termos técnicos e não representa com clareza uma interação entre o ator e o sistema.

Agora me diga. Qual a utilidade de se fazer um caso de uso numa situação como essa? Onde seu trabalho se resume a produzir um serviço de comunicação com uma ferramenta, o qual será chamado por outros serviços?

Qual a utilidade de se engessar de tal forma a quantidade e qualidade da documentação que deve ser feita?

Não pegou a idéia ainda?
Imagine só. Alguém te convida pra ser padrinho de casamento. Um outro alguém te alerta que você deve ir de terno a um casamento. Gravata, sapato, tudo certinho.
Mas o casamento que te convidaram pra ser padrinho será na praia, ali na areia e tal. Sei lá, a noiva viu um assim numa revista e resolveu que o dela seria assim também!

E ai? Você vai aparecer por la de terno? Gravata no sol de meio dia? Sapato na areia?
Seu bom senso vai te dizer alguma coisa sobre isso, não?

Mundo real

Desenvolvimento Ágil, Metodologia No Comments »

Muita gente já tem batido nessa tecla aqui no Brasil em blogs e revistas. Lá fora então, a décadas que esse tipo de coisa é difundida e até tem tido uma evolução no nível de aceitação.
O RUP tem isso, o XP também, o SCRUM. O que não falta é metodologia e escritor famoso defendendo esse ponto de vista. Mas aqui no nosso mercado, infelizmente, ainda estamos engatinhando com tímidas iniciativas.

Eu estou falando de ESCOPO NEGOCIÁVEL + DESENVOLVIMENTO ITERATIVO.

Não é raro eu entrar nesse assunto com alguém e ouvir de volta: “ah…muito legal, mas no mundo real não é assim”, ou então, “você está sendo acadêmico demais”.

Eu? Acadêmico? hehe….Vamos pular essa parte e partir pra alguns dados reais de mercado.

A décadas que o Standish Group vem divulgando o CHAOS Report, um conjunto de estatísticas sobre os resultados obtidos em milhares de projetos ao redor do mundo.
Só pra exemplificar, os dados de 2003 revelam que 34% dos 13.522 projetos pesquisados atingiram o sucesso, ou seja, foram entregues dentro do prazo, custo e ESCOPO FECHADO previsto inicialmente. Do restante, 15% foram cancelados e 51% tiveram prazo e/ou custo aumentados consideravelmente.

Com base nas funcionalidades que foram entregues nos projetos ditos de sucesso, foi perguntado aos clientes dessas funcionalidades, qual o grau de uso que eles estavam tendo sobre elas. A média das respostas foi a seguinte:
7% sempre são utilizadas, 13% frequentemente, 16% as vezes, 19% raramente e pasmem….45% nunca são utilizadas!

É isso aí, a maior parte estourou prazo/custo ou foi cancelada e dos que tiveram sucesso, quase a metade das funcionalidades não serve pra nada NO MUNDO REAL. Legal né???

Imagino que depois de ler isso em 2004, quem passou o ano anterior perdendo contratos ou gastando uma nota com hora extra, deva ter olhado com outros olhos essa questão de escopo negociável + desenvolvimento iterativo.

O problema de negócio que queremos resolver via software é que deve ter o escopo fechado.
As fronteiras que a solução sistémica não deverá ultrapassar é que devem ser delimitadas.

Agora, qual a real complexidade ou até mesmo necessidade dos X possíveis casos de uso, histórias, ou seja lá o que for, inicialmente imaginados pra resolver os problemas (de negócio) contidos no escopo (de negócio) de um projeto?
Não tem como responder isso com precisão ! Nem com ponto de função nem com qualquer outro ponto que seja.

Bem vindo(a) ao mundo real :)

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