Modelar direito da lucro
Arquitetura, DDD, Desenvolvimento Ágil, Modelagem Ágil, SOA, TDD 1 Comment »Em 2005 eu fiz um curso de extensão na PUC-Rio, que se baseou no livro UML Components, publicado em 2000. O foco do livro e obviamente do curso, era em Component-Based Design, identificação e projeto de componentes de negócio, usando uma técnica calcada em UML.
Foi na época desse curso que comecei a ver valor em alguns outros temas que eu já havia estudado, mas não conseguia ver tanta aplicação prática, como o uso de OO na modelagem de sistemas e o conceito de reuso. No entanto, o que mais me chamou atenção no curso e mudou minha forma de pensar sobre desenvolvimento de software, foi o fato de modelar classes e sub-sistemas com base no que eles representavam no mundo real, no processo de negócio do cliente.
Em 2007 comecei a ter contato com metodologias ágeis e com SOA, tudo de forma muito tímida ainda, lendo isso, aquilo, mas o suficiente pra constatar 3 coisas:
1 – Eu não precisava “modelar tudo em UML” pra depois programar de novo em algo que compilasse.
2 – Testes automatizados são tão importantes, mas tão importantes, que até pra modelar servem.
3 – SOA segue adiante o caminho iniciado pelo Component-Based Design, dando mais foco no negócio e com uma visão mais corporativa.
Em 2008 comecei a ver alguma coisa de Domain-Driven Design na internet. Mesmo sendo um cara que “curte” modelagem, não dei muita importância. Achava que era apenas um novo nome para uma mistura de CBD com SOA. Só lendo o livro do Evans em 2009, que foi publicado em 2003, é que passei a ver benefícios com DDD, devido à forma como o autor amarrou e organizou uma serie de conceitos e técnicas úteis a modelagem de domínio.
Estamos em 2010.
Perceberam alguma coisa? Não?
Eu sou um cara técnico, curto modelagem de software e não é raro eu estar lendo algo sobre isso. Mesmo assim, só fui conhecer em 2005, algo que já existia desde 2000 e só fui entender em 2007/2009 coisas que começaram em 2003.
Eu curto estudar assuntos técnicos sobre modelagem.
Mas isso não evitou que eu acumulasse débitos técnicos por anos!
Agora imagine o seu gerente e o gerente do seu gerente. Provavelmente eles não sabem o que significam 10% dos termos usados nesse post até agora.
Então, por quê você acha que vai convencê-los a deixar você usar SOA, DDD, TDD, XP, etc, etc…?
Vou piorar as coisas.
Por que você acha que toda uma empresa vai passar a adotar alguma dessas siglas, bancando custos de treinamento, mudanças culturais e perdas de produtividade iniciais?
Eu não tenho 1 ou 2 anos pra convencer meu gerente de que usar X é legal pra empresa. Pior, ele provavelmente não leu os livros que li nem fez os cursos que fiz, então eu precisaria de mais do que 1 ou 2 anos.
Seu gerente, o gerente do seu gerente e daí por diante, são pessoas que leram outros livros, que tem outras preocupações.
Você precisa falar a língua deles.
Você precisa provar que as suas idéias sobre modelagem de software são rentáveis.
Softwares não nascem ou sofrem modificações “do nada”.
Imagine uma empresa de telecom com alguns setores específicos.
Essa empresa, assim como qualquer outra, de qualquer outro ramo é movida por processos de negócio e tem metas a serem alcançadas.
Tanto os processos quanto as metas podem ser definidos nos mais altos aos mais baixos níveis de detalhe na empresa.
A figura acima destaca um processo bem macro, chamado “pagamento de conta”. Ela também mostra que existem uma serie de sistemas e serviços, construídos para fazer esse processo fluir.
Se for lançada uma meta visando a diminuição do consumo de papel na empresa e o processo de “pagamento de conta” for um dos que precisam se adequar a meta, alterações em sistemas e serviços legados serão necessárias.
Solicitações serão feitas ao pessoal de TI para atender essa demanda.
Mas, por uma triste coincidência, os sistemas envolvidos estão cheios de dependências cíclicas, redundâncias de lógica de negócio, excesso de responsabilidades e interfaces incoerentes com seus propósitos de negócio.
Sendo assim, sua equipe levou um baita tempo extra só pra entender como os sistemas funcionavam, fora o tempo pra promover as alterações em si. O que alias, acabou gerando mais trabalho, porque como os sistemas não estavam cobertos por testes automatizados, muitos bugs só foram percebidos tardiamente e um loop infinito de “corrige-e-estraga” se formou.
Você consegue mensurar quanto de $$ está sendo gasto atendendo essa demanda?
Consegue identificar uma relação entre o que está sendo gasto e o que seria gasto, caso as tais “siglas” que você queria colocar na empresa, tivessem sido usadas na construção desses sistemas?
Você consegue achar outros exemplos na sua empresa, que cheguem a conclusões parecidas?
Sim? Então você consegue provar que investir no que você fala, pode ser uma boa idéia.



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