Mundo real

Desenvolvimento Ágil, Metodologia No Comments »

Muita gente já tem batido nessa tecla aqui no Brasil em blogs e revistas. Lá fora então, a décadas que esse tipo de coisa é difundida e até tem tido uma evolução no nível de aceitação.
O RUP tem isso, o XP também, o SCRUM. O que não falta é metodologia e escritor famoso defendendo esse ponto de vista. Mas aqui no nosso mercado, infelizmente, ainda estamos engatinhando com tímidas iniciativas.

Eu estou falando de ESCOPO NEGOCIÁVEL + DESENVOLVIMENTO ITERATIVO.

Não é raro eu entrar nesse assunto com alguém e ouvir de volta: “ah…muito legal, mas no mundo real não é assim”, ou então, “você está sendo acadêmico demais”.

Eu? Acadêmico? hehe….Vamos pular essa parte e partir pra alguns dados reais de mercado.

A décadas que o Standish Group vem divulgando o CHAOS Report, um conjunto de estatísticas sobre os resultados obtidos em milhares de projetos ao redor do mundo.
Só pra exemplificar, os dados de 2003 revelam que 34% dos 13.522 projetos pesquisados atingiram o sucesso, ou seja, foram entregues dentro do prazo, custo e ESCOPO FECHADO previsto inicialmente. Do restante, 15% foram cancelados e 51% tiveram prazo e/ou custo aumentados consideravelmente.

Com base nas funcionalidades que foram entregues nos projetos ditos de sucesso, foi perguntado aos clientes dessas funcionalidades, qual o grau de uso que eles estavam tendo sobre elas. A média das respostas foi a seguinte:
7% sempre são utilizadas, 13% frequentemente, 16% as vezes, 19% raramente e pasmem….45% nunca são utilizadas!

É isso aí, a maior parte estourou prazo/custo ou foi cancelada e dos que tiveram sucesso, quase a metade das funcionalidades não serve pra nada NO MUNDO REAL. Legal né???

Imagino que depois de ler isso em 2004, quem passou o ano anterior perdendo contratos ou gastando uma nota com hora extra, deva ter olhado com outros olhos essa questão de escopo negociável + desenvolvimento iterativo.

O problema de negócio que queremos resolver via software é que deve ter o escopo fechado.
As fronteiras que a solução sistémica não deverá ultrapassar é que devem ser delimitadas.

Agora, qual a real complexidade ou até mesmo necessidade dos X possíveis casos de uso, histórias, ou seja lá o que for, inicialmente imaginados pra resolver os problemas (de negócio) contidos no escopo (de negócio) de um projeto?
Não tem como responder isso com precisão ! Nem com ponto de função nem com qualquer outro ponto que seja.

Bem vindo(a) ao mundo real :)

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